O elevado grau de responsabilidade e o stress reconhecido cientificamente que é inerente à profissão de controlador de tráfego aéreo resulta da necessidade de tomar decisões ao segundo cujas consequências de um eventual erro poderão ser dramáticas. Este aspecto particular torna a profissão de controlador de trafego aéreo como uma das mais desafiantes e apaixonantes.

A NAV Portugal é a empresa responsável pela prestação de serviços de Tráfego Aéreo nas Regiões de Informação de Voo (RIV) sob a responsabilidade portuguesa – Lisboa e Santa Maria.
O controlador de aeródromo (AD) trabalha nas torres de controle, sendo responsável pelas aeronaves nas suas imediações, as que se encontram na fase final de aterragem, ou que acabaram de descolar. A área de responsabilidade de um controlador de aeródromo corresponde normalmente a um cilindro, com um raio de 5 NM (9.3 km) em torno do aeroporto, sendo que geralmente se recorre à observação visual das aeronaves a partir da torre de controlo.
O controlador de aproximação é responsável pela aproximação das aeronaves ao aeroporto onde pretendem aterrar ou, inversamente, pelo seu afastamento do aeroporto de onde acabaram de descolar. O controlador de aproximação faz a ligação entre as torres de controlo e os centros de controlo: se os aviões vão aterrar, recebe-os de um controlador regional, ordena-os numa sequência e transfere-os para o controlador de aeródromo; se acabaram de descolar, recebe-os do controlador de aeródromo e transfere-os para o controlador regional.
O controlador regional é responsável pela segurança das aeronaves em rota e exerce funções num centro de controle de tráfego aéreo (CCTA) , sendo cada um responsável por blocos tridimensionais de espaço aéreo de dimensões definidas denominados sectores. O controle em rota pode ser feito com recurso a ferramentas de vigilância, nomeadamente RADAR (RAdio Detection And Ranging), WAM (Wide Area Multilateration) e ADS-B (Automatic Dependendant Surveillance Broadcast) ou, em áreas onde é impraticável a aplicação destas tecnologias, recorre-se ao controle convencional, geralmente aplicado sobre áreas oceânicas. As aeronaves em “rota” podem estar sob a jurisdição do mesmo controlador durante largos minutos ou, no caso do controle oceânico, horas.

O acesso à profissão de controlador de tráfego aéreo requer um curso específico dado pela própria empresa que integra os CTAs, ou seja, a NAV-EPE. Em Portugal, os cursos são exclusivamente dados pela empresa à medida das suas necessidades.

Os concursos de acesso são divulgados na comunicação social sendo todos candidatos alvo de uma pré-selecção antes de integrarem o curso de formação que dá acesso à licença de controlador. Os requisitos para a candidatura são os seguintes:

– Os três primeiros anos completos de uma Licenciatura ou o número equivalente de Unidades de Crédito do Sistema Europeu de Transferência de Créditos (180 ECTS);

– Idade máxima de 25 anos com referência ao final do ano em que se candidata;

– Domínio oral e escrito das línguas inglesas e portuguesa;

– Prova de acuidade visual.

Após a aceitação da candidatura, os candidatos são submetidos a testes psicotécnicos, médicos, linguísticos e a uma entrevista. São testadas as características fundamentais para o exercício da profissão: raciocínio lógico, visão espacial, capacidade de organização e planeamento, capacidade para trabalhar sob stress e o trabalho em equipa.

Os candidatos que superarem estas provas ficam aptos a fazer o curso de formação de Controlador Aéreo que terá a duração de cerca de 18 meses. Durante este período os formandos adquirem não só conhecimento nas áreas de meteorologia, navegação aérea, desempenho de aeronaves e língua inglesa como iniciam o primeiro contacto com a profissão através da formação em simuladores.

Aqueles que concluírem com sucesso esta formação de elevada exigência, adquirem a licença de Controlador de Tráfego Aéreo podendo ser colocados em qualquer um dos aeroportos ou centros de controle de trafego aéreo que estão sob tutela da NAV EPE.

Sempre que um Controlador de Tráfego Aéreo é colocado numa nova torre ou centro de controlo é necessário um período de formação e treino de modo a adquirir os conhecimentos necessários para exercer naquela unidade particular ou sector. Neste período, denominado On the Job Training (OJT), o instruendo é acompanhado por um controlador detentor dos respectivos averbamentos de órgão e de instrutor (OJTI).

A formação decorre maioritariamente em tráfego real, sendo que o OJTI responsável pela formação acompanha, ao segundo, as acções do instruendo estando sempre pronto a intervir se necessário. Ultrapassado com sucesso o período de formação, o controlador adquire as qualificações e averbamentos necessários para exercer a função nesse sector em particular.

Em regra, o controlador de trafego aéreo só pode exercer na posição de controlo por um período de tempo de 90 a 120 minutos consecutivos. Esses períodos devem ser intercalados por uma pausa de 30 minutos, essencial para repor os níveis de performance exigidos ao controlador no exercício da profissão. O controlo de tráfego aéreo é uma actividade desempenhada 24h por dia / 365 dias por ano, por turnos rotativos que incluem noites, fins-de-semana e feriados.