O que faz um Controlador de Tráfego Aéreo (CTA) ?

A profissão de controlador de tráfego aéreo é bastante conhecida de nome, sendo até um pouco mítica. Múltiplos estudos científicos realizados em diversos países comprovam ser uma das profissões mais stressantes do mundo, sem embargo de ser também uma das mais apaixonantes. Na essência, aquela característica resulta dos CTA´s terem de tomar decisões quase instantâneas, por um lado, e das dramáticas consequências de um eventual erro, por outro lado. Vale a pena lembrar que no maior desastre da aviação civil, ocorrido quando dois aviões chocaram entre si no Aeroporto de Tenerife, no dia 27 de Março de 1977, morreram mais de quinhentas e cinquenta pessoas. Imagine-se sob que pressão permanente os controladores trabalham, sabendo que uma decisão errada, tomada em fracções de segundo, pode originar uma catástrofe desta dimensão !

Mas, no fim de contas, que fazem exactamente os controladores de tráfego aéreo ?

Juntamente com os pilotos, eles são os principais responsáveis por garantir a segurança do tráfego aéreo e, em termos gerais, pode-se dizer que a sua função consiste em garantir um fluxo seguro, ordenado e expedito do tráfego aéreo.

Para tanto, os CTA´s utilizam uma vasta gama de meios técnicos postos ao seu dispôr e que lhe permitem saber onde estão as aeronaves sob a sua jurisdição: meios de comunicações, rádio ajudas, radares, computadores, etc, etc.

Um controlador de tráfego aéreo, que pode ter sob o seu controle em simultâneo dezenas de aeronaves, tem de saber exactamente onde se encontra cada uma delas, garantindo sempre as chamadas “separações” entre si. Estas separações – que em linguagem corrente se poderiam designar como o espaço que tem de haver sempre entre duas aeronaves – são estabelecidas internacionalmente de forma standardizada, podendo ser longitudinais, laterais (medindo-se qualquer delas em tempo ou em distância) ou verticais (em altitude). Enquanto as separações verticais se medem em pés, as separações longitudinais ou laterais medem-se em milhas náuticas ou em minutos.

No espaço aéreo existem rotas fixas, tal e qual como as estradas em terra. Compete ao CTA manter a separação do tráfego, dentro e fora dessas rotas, dando para o efeito instruções aos pilotos para subir, descer, aumentar ou diminuir a velocidade, virar à esquerda ou à direita, etc, etc.

As separações variam conforme os meios técnicos existentes em terra e ou a bordo da aeronave. Assim, a existência de radar, através do qual o CTA visualiza a posição das aeronaves (controle radar) permite aplicar separações mais reduzidas do que se o CTA, sem aquele equipamento, tiver que calcular a localização das aeronaves baseado na sua latitude, longitude e velocidade (controle convencional).

O controlador de aeródromo (AD) trabalha nas torres de controle, que existem em todos os aeroportos com algum movimento e, para as pessoas em geral, são a parte mais visivel e conhecida do trabalho de CTA. No desempenho desta função, o CTA está sempre a ver os aviões sob a sua jurisdição (todas as torres de controle têm paredes laterais de vidro) e que são os que estão em terra, ou estão na fase final de aterragem, ou acabaram de descolar. Pode-se dizer que o controlador de aeródromo gere o tráfego que se encontra nesse aeródromo ou muito próximo dele.

Nos últimos minutos (em norma, dez a quinze) antes de aterrar ou nos minutos imediatamente subsequentes à descolagem, as aeronaves ficam sob a jurisdição do controlador de aproximação (APP). Esta função é, portanto, responsável pela aproximação das aeronaves ao aeroporto onde pretendem aterrar ou, inversamente, pelo seu afastamento do aeroporto de onde acabaram de descolar. Como é visivel, nas proximidades dos aeroportos – principalmente dos grandes aeroportos – existe uma enorme quantidade de aviões permanentemente a aterrar ou a descolar, os quais se encontram sob a jurisdição dos controladores de aproximação, embora cada um deles apenas durante alguns minutos.

O controlador de aproximação recebe os aviões de um colega e entrega-os a outro: se vão aterrar, recebe-os de um controlador regional, ordena-os numa sequência e transfere-os para o controlador de aeródromo; se acabaram de descolar, recebe-os do controlador de aeródromo e transfere-os para o controlador regional.

Finalmente e como nesta altura já se terá percebido, o controlador regional é responsável pelo tráfego que se encontra em “rota” (ou seja, nas tais “estradas” de que acima se falou) e exerce funções num centro de controle de tráfego aéreo, enquanto o controle de aproximação tanto pode ser exercido num centro como numa torre de controle. Dentro do controle regional existe ainda uma especialização específica que é o controle oceânico, relativo, como o nome indica, às aeronaves que estão a sobrevoar oceanos. As aeronaves em “rota” podem estar sob a jurisdição do mesmo controlador durante largos minutos ou, no caso do controle oceânico, mesmo durante horas.

As funções de controle regional são muito menos conhecidas do público em geral do que as de controle de aeródromo, por serem menos visiveis. Mas, para se ter uma ideia da sua relevância, basta dizer que, por exemplo no aeroporto de Lisboa, aterram ou descolam todos os dias cerca de 300 aviões – e esses são os que o público vê – mas, para além destes, todos os dias cruzam o espaço aéreo português, sem serem sequer fisicamente visiveis dada a altitude a que voam, mais cerca de mil aviões, que não se destinam a aeroportos nacionais mas estão sob controle de CTA´s portugueses.

O sistema de controle de tráfego aéreo é global, quer dizer, em regra (há excepções nas chamadas áreas não controladas) qualquer aeronave está permanentemente sob controle de um CTA. Um avião que vá de Paris para New York está sob a jurisdição de um centro de controle francês, que o transfere para um centro de controle espanhol, que o transfere para um centro de controle português, que o transfere para um centro de controle norte americano, até chegar ao seu destino.

Nas comunicações entre os diversos centros (controlador a controlador) ou nas comunicações terra/ar (controlador a piloto), utiliza-se em regra a língua inglesa e uma fraseologia standard.